Cultura · Variações

Mahjong nos Estados Unidos: por que a cartela muda todo mês de abril

Quatro trincas e um par não valem nada numa mesa americana se a combinação não estiver na cartela do ano. E a cartela é trocada todo mês de abril, com lista de mãos nova.

Quatro trincas, um par, e nada na cartela

Você fecha quatro trincas e um par. A mão parece certa, igual à de qualquer guia chinês. Aí alguém abre a cartela e passa o dedo pelas linhas. Não está lá. Vale zero, e não há fan para contar.

A combinação vencedora não sai da cabeça do jogador. Sai de uma folha impressa, trocada uma vez por ano, e cada pessoa na mesa tem a sua na frente.

A cartela é o livro de regras

A National Mah Jongg League publica a cartela desde 1937. A edição de 2026 entrou em jogo em 1º de abril de 2026 e vale até 31 de março de 2027, por cerca de US$ 14 na versão padrão e US$ 15 na de letra grande, comprada direto da liga.

São 65 a 75 linhas por ano, em seções de nome fixo: os dígitos do ano, 2468, 13579, 369, números iguais em naipes diferentes, quintetos, sequência, ventos e dragões, peças soltas e pares.

Cada linha traz duas marcas. X libera grupo exposto, pedido do descarte alheio. C exige mão fechada, montada com o que você compra, com a peça final liberada na vitória por descarte.

O valor vem no fim da linha, de 25 a 75 pontos. A cartela fez a conta antes da partida.

152 peças, oito curingas e flores que não são bônus

O conjunto americano tem 152 peças: as 144 tradicionais mais oito curingas. Cada jogador monta uma parede de 19 peças por duas de altura, 38 por pessoa, e as quatro fecham exatamente em 152.

A distribuição deixa 99 peças na parede: treze para cada um e uma extra para Leste, que descarta primeiro.

As flores são onde o jogador chinês se perde. Não são bônus separados para render pontos. Ficam na mão e contam como peça comum em linhas específicas da cartela.

O curinga nunca entra num par

O curinga substitui qualquer peça dentro de um grupo de três ou mais. Não substitui par, e não substitui peça solta pedida pela cartela.

Esse limite desenha a mesa. Pares têm que sair naturais, o que os torna o ponto exposto de qualquer mão, e é por isso que a seção de peças soltas e pares paga mais.

Existe o resgate: se um curinga está exposto e você tem a peça verdadeira, no seu turno você entrega a peça e leva o curinga. Curinga guardado fechado não se perde.

O quinteto que só existe com curinga

Cinco peças iguais num conjunto de quatro cópias parece impossível, e é. Por isso quase todo quinteto da cartela exige um curinga.

A exceção são as flores. Existem oito no conjunto, então um quinteto de flores pode ser natural.

Consecutive Run não é sequência

O nome engana. Nos Estados Unidos não existe chow, a sequência de três peças do mesmo naipe, e nenhuma linha da cartela aceita uma.

O que a seção pede é outra coisa: números em ordem, cada um como trinca própria, em naipes diferentes. Uns, dois e três de caracteres, uns, dois e três de bambu, uns, dois e três de círculos.

Sem sequência, a peça do meio de um naipe perde valor e o descarte fica mais grosseiro.

Charleston: três passes, e o curinga fica

Antes do primeiro descarte a mesa troca peças em ordem fixa. O primeiro Charleston é obrigatório: três para a direita, três para o da frente, três para a esquerda.

O segundo é opcional, corre na ordem inversa e só acontece se os quatro concordarem. Depois vem o passe de cortesia, de até três peças, combinado entre os dois da frente.

Curinga não passa, em passe nenhum. E só o último passe de cada Charleston pode ser às cegas.

O Charleston vaza informação. O que você manda embora na primeira volta diz muito sobre a mão que persegue.

A conta soma, não multiplica

Mão de 25 pontos vencida no descarte alheio: quem descartou paga 50 e os outros dois pagam 25 cada. A mesa toda paga ao vencedor, e quem deu a peça paga mais caro.

Vitória na própria compra dobra tudo. Quem fecha sem curinga nenhum, onde curinga era permitido, dobra de novo.

Peças soltas e pares é a exceção, porque ali curinga nunca foi legal. Não há bônus sem curinga, e o valor impresso já embute a dificuldade.

Se a parede acaba sem vencedor, ninguém paga.

Mão morta é regra, não xingamento

Número errado de peças no rack, curinga em par ou em peça solta, vitória anunciada com uma mão fora da cartela: a sua partida naquela mão acabou.

Você fica na cadeira e continua pagando o vencedor, mas não compra, não pede descarte e não descarta. É o que faz a cartela valer.

Por que a mesa americana ficou assim

O jogo chegou nos anos 1920 como moda e saiu dela em dois anos. O que o segurou não foi clube nem federação. Foi sala de estar, centro comunitário e grupo semanal, muitos em bairros judeus de Nova York.

Mesa que se reúne toda semana precisa de combinado, não de árbitro. A cartela anual é esse combinado: todos jogam a mesma lista e ninguém discute valor. O preço é trocar cálculo por cumprimento de desenho.

As outras escolas estão em Como o Mahjong se espalhou pelo mundo. O caminho japonês, oposto, com federação e aposta de mil pontos, está em Mahjong no Japão.

Como sentar numa mesa americana

Compre a cartela do ano antes de jogar. Nenhum vídeo substitui a folha na sua frente, e a cartela antiga vira papel morto em 1º de abril.

Leia as seções inteiras uma vez e escolha duas ou três linhas que caibam no seu jeito. Perseguir a mais bonita é como passar a noite sem fechar nada.

A exceção é o grupo que não quer comprar cartela. Aí o baralho de 144 com regra de Hong Kong ensina a mesma mecânica sem taxa anual. Se faltar o quarto jogador, o Mahjong Solitário resolve sozinho, com 112 peças em 56 pares, e o índice de Cultura reúne o resto.